Bodoquena é pra lá de Bonito (MS)

 

Uma das coisas que mais gostamos em nossas Expedições é a possibilidade de descobrir e divulgar aquilo que pouca gente conhece. Nosso trabalho é baseado principalmente na exploração de locais não turísticos onde a interferência humana ainda é mínima. Nesse trabalho atual, no Mato Grosso do Sul, não tem sido diferente e vou dividir um pouco dessas descobertas com vocês.

 

Estamos trabalhando na Serra da Bodoquena, conhecida principalmente por abrigar a cidade de Bonito. Águas cristalinas e peixes coloridos logo vieram a cabeça, não é mesmo? Mas estamos aqui para explorar algo ainda mais selvagem e por isso montamos uma base de apoio na cidade de Bodoquena, ‘prá lá de Bonito’, cerca de 80km de distância, pra registrar o potencial desse lugar.

 

Visitamos essa semana a Caverna do Urubu Rei. Confesso que é um dos lugares mais bonitos e extraordinários que já tive a oportunidade de conhecer ao longo da minha carreira. Não fica muito longe. Percorremos uns 25km de estrada de chão a partir do Centro e depois subimos mais ou menos 1.000 metros. Já adianto que não é pra qualquer um. Muitas pedras escorregadias, muitos insetos, vegetação de floresta até uma cachoeira em forma de paredão que exige bastante esforço físico. A possibilidade de queda é real. Uma travessia que não dá pra vacilar.

 

Ficamos quase o dia todo explorando diversas galerias de diferentes tamanhos o que possibilitou muitas imagens de longa exposição – técnica usada na fotografia quando há pouca luz. Ficamos submersos por várias vezes, atravessamos túneis naturais estreitos, às vezes debaixo d’água, na tentativa de descobrir até onde tudo aquilo daria, uma vontade enorme de fazer novas descobertas. Estava sendo levado por um som de cachoeira que parecia estar no interior da caverna. Mas apesar de termos avançado muito, um bloqueio natural e muito estreito não nos permitiu seguir adiante e a imagem da queda d’água ficou apenas na lembrança da nossa imaginação.

 Caverna do Urubu Rei em Bodoquena (MS) - Foto: Fernando Lara

Essa é apenas uma das cavernas que vamos explorar na Serra da Bodoquena. São centenas delas por aqui, com características semelhantes: água cristalinas e que abrigam rios com sumidouros que volta e meia desaparecem por debaixo da terra e algumas delas até com possibilidade de mergulho.

 

A maior parte dessas cavernas não está aberta a visitação. Há uma intensa discussão sobre a viabilidade turística e a preservação natural desses locais. Além das formações de estalactites que poderiam ser comprometidas pela ação antrópica, há também a preservação de espécies endêmicas, como é o caso de um bagre albino que só existe nessa região.

 

A Caverna do Urubu, por exemplo, está em propriedade particular. Realmente foi um privilégio estar por aqui. Além da beleza cênica natural das pedras, da floresta e da água, a natureza ainda nos proporcionou uma imagem incrível: um casal de urubus-reis com filhote. As poucas pessoas que conhecem o local me disseram que o avistamento desse casal de urubus-reis é rara, o que torna a oportunidade ainda mais privilegiada. Pra quem não conhece, a espécie possui penas brancas semelhantes ao manto real, mas o filhote nasce com penas escuras que são substituídas naturalmente com a maturidade.

 Filhote de urubu-rei com as penas ainda escuras - Foto: Fernando Lara

 Casal de urubus-reis em Bodoquena (MS) - Por Fernando Lara

 

Para a realização desse trabalho, contamos com o apoio e autorização da comunidade local que tem sido parceira nos registros da região. Nunca realize atividades em ambientes naturais, incluindo cavernas, sem treinamento adequado e sem o conhecimento do dono ou do órgão que gerenciam a área preservada. Respeito com os locais e com a natureza são premissas básicas para o trabalho de um bom Expedicionário. Não vacile com isso!

 

Na próxima terça-feira volto com um vídeo mostrando um pouco mais dessa descoberta extraordinária da gruta do Urubu Rei pra vocês. O material está incrível... aguardem!

 

Apoio

 

A Expedição de #100dias pela Serra da Bodoquena e Pantanal Sul tem o apoio de botas Snake, Diário do Aço, TV Cultura Vale do Aço e agência de turismo O Giro.

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Chegou o projeto V-ONÇA: ecoturismo de observação focado em onças-pintadas no Pantanal

June 6, 2017

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